História do Surf

Maiores Surfistas Femininas da História: As Rainhas do Mar

BoardCave Brasil · Maio de 2026 · 11 min de leitura · Atualizado em 11/05/2026
Maiores surfistas femininas da história — rainhas do surf mundial

A história do surf feminino é uma trajetória de superação, técnica refinada e coragem que redefine limites a cada geração. Durante décadas, as mulheres lutaram por espaço no lineup, por premiações iguais e por equipamentos que respeitassem sua biomecânica. Hoje, entregam um surf de potência, fluidez e progressão técnica que define o esporte moderno.

Neste ranking da BoardCave, vamos além dos títulos: analisamos o impacto técnico, o legado cultural e a contribuição de cada atleta para o surf que praticamos hoje. De Stephanie Gilmore e seus 8 títulos mundiais à brasileira Maya Gabeira quebrando recordes em ondas de 22 metros, estas mulheres são a prova de que o oceano não tem teto.

8
Títulos mundiais de Stephanie Gilmore
22m
Recorde mundial de Maya Gabeira em Nazaré
🥇
Ouro olímpico de Carissa Moore em Tóquio 2020

1. Stephanie Gilmore — O Surf Mais Elegante do Mundo

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Stephanie Gilmore
🏆 8 títulos mundiais WSL

Nascida em Murwillumbah, Austrália, em 1988. Maior recordista do surf feminino, com 8 campeonatos mundiais. Venceu o título de estreante no circuito em 2007 e mantém consistência de elite há quase duas décadas.

Nenhuma discussão sobre surf feminino está completa sem Stephanie Gilmore. Com 8 títulos mundiais, ela é a maior campeã da história do surf feminino — e provavelmente um dos atletas mais elegantes de qualquer esporte aquático. O que diferencia Gilmore não é só a quantidade de troféus, mas a forma como ela os conquista.

Seu surf é frequentemente descrito como o mais fluido do planeta. Ela usa o trim da prancha — a capacidade de deslizar na borda — para extrair velocidade de seções onde outros surfistas freiam. As manobras mais difíceis do repertório feminino, em suas mãos, parecem espontâneas. Essa leveza não é acidente: é o resultado de anos lendo a parede da onda com uma inteligência que poucos atletas de qualquer gênero atingem.

Impacto técnico: Gilmore prefere designs que permitem curvas amplas com trim prolongado — pranchas com menos rocker e concavidades suaves que maximizam o deslizamento. Sua influência levou shapers a desenvolverem modelos de performance femininos com características distintas das pranchas masculinas de mesmo nível.

Fora da água, Gilmore é embaixadora de causas ambientais e da inclusão no surf, e colabora diretamente com marcas no desenvolvimento de equipamentos femininos de alta performance — um mercado que ela ajudou a criar.

2. Carissa Moore — Potência, Olimpíada e História

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Carissa Moore
🏆 5 títulos mundiais + 🥇 Ouro Olímpico Tóquio 2020

Nascida em Honolulu, Havaí, em 1992. Cinco vezes campeã mundial e primeira medalhista de ouro olímpica da história do surf feminino. Cresceu surfando ondas pesadas no Havaí e desenvolveu um power surf sem precedentes no tour feminino.

Se Gilmore é o estilo, Carissa Moore é a potência. Natural do Havaí, ela cresceu surfando as mesmas ondas pesadas que os homens e construiu um "power surf" que desloca quantidades absurdas de água em cada batida. Com 5 títulos mundiais e a primeira medalha de ouro olímpica da história do surf feminino em Tóquio 2020, Moore elevou definitivamente o patamar atlético do tour feminino.

Moore foi uma das primeiras surfistas femininas a incorporar aéreos e manobras acima do lip como parte consistente do repertório competitivo — não como esporádicas, mas como notas altas confiáveis. Essa progressão técnica forçou toda a geração seguinte a elevar o nível.

Impacto técnico: Carissa Moore trabalha com pranchas de rocker mais pronunciado para absorver a energia de ondas ocas, com rabetas squash que permitem mudanças de direção explosivas no lip. Sua biomecânica potente exige designs que a maioria das pranchas femininas de tour não comportava até ela chegar.

Moore também é fundadora da Moore Aloha, organização que leva o surf a comunidades carentes do Havaí, e é considerada uma das atletas mais completas e influentes do esporte, dentro e fora d'água.

3. Layne Beachley — A Pioneira da Dominância

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Layne Beachley
🏆 7 títulos mundiais (6 consecutivos)

Nascida em Sydney, Austrália, em 1972. Sete vezes campeã mundial, com seis títulos consecutivos — uma sequência que ainda não foi superada no surf feminino. Pioneira na profissionalização e na luta por premiações iguais.

Antes de Gilmore e Moore, existia Layne Beachley. Ela conquistou seis títulos mundiais consecutivos (de 1998 a 2003) — uma dominância que o surf feminino nunca havia visto e que até hoje não foi repetida. Ao total, são 7 campeonatos mundiais, tornando-a a segunda maior vencedora da história atrás apenas de Gilmore.

Beachley foi a primeira a insistir que as mulheres podiam — e deviam — surfar as mesmas ondas grandes que os homens. Ela surfa Sunset Beach, Waimea e condições pesadas com uma agressividade que mudou a percepção do mercado sobre o que o surf feminino era capaz de fazer.

Legado além das ondas: Beachley fundou a Aim for the Stars Foundation, que apoia jovens atletas australianas, e foi presidente da Surfing Australia. Sua luta ativa por premiações iguais no circuito WSL abriu o caminho para que, em 2019, o tour feminino passasse a pagar o mesmo que o masculino.

4. Maya Gabeira — Quebrando Recordes em Nazaré

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Maya Gabeira
🌊 Recorde mundial — maior onda feminina: 22,4 m

Nascida no Rio de Janeiro, em 1987. Maior nome do big wave surf feminino mundial. Após um acidente quase fatal em Nazaré em 2013, voltou ao mesmo local e quebrou o recorde mundial, uma das histórias mais inspiradoras do esporte.

Maya Gabeira não compete no tour de manobras da WSL — seu território é outro: as ondas monstruosas de Nazaré, Portugal, onde paredes de água de 20 metros são rotina. Em 2020, ela surfou uma onda de 22,4 metros, homologada pelo Guinness World Records como a maior já surfada por uma mulher na história.

O que torna o feito ainda mais extraordinário é o contexto. Em 2013, Maya quase morreu nessa mesma praia, após ser engolida por uma onda enorme e sofrer graves lesões. A volta a Nazaré, anos depois, para quebrar o próprio recorde é uma das histórias mais poderosas já contadas no surf — ou em qualquer esporte.

Impacto técnico: O big wave surf feminino exige equipamentos completamente diferentes das pranchas de manobra: guns com mais de 7 pés, maior volume na popa para paddling de potência e tow-in boards para ondas acima de 15 metros. Maya trabalhou diretamente com shapers para desenvolver equipamentos específicos para sua anatomia em ondas gigantes — contribuindo para um mercado que praticamente não existia antes dela.

5. Outras Gigantes do Surf Feminino

Lisa Andersen — A Que Mudou Tudo

Quatro títulos mundiais consecutivos (1994–1997) e uma capa da Surfer Magazine com o slogan "Lisa Andersen surfs better than you" transformaram a percepção global do surf feminino. Andersen foi a primeira a mostrar ao grande público que a performance feminina podia ser tão radical quanto a masculina.

Tatiana Weston-Webb — A Esperança Brasileira

Com dois vice-campeonatos mundiais e um surf de potência impressionante, Tatiana é a principal brasileira no circuito feminino atual da WSL. Especialista em ondas ocas, ela é consistentemente uma das atletas mais bem colocadas no ranking e uma candidata permanente ao título.

Tyler Wright — A Força da Nova Austrália

Bicampeã mundial (2017 e 2022), a australiana Tyler Wright combina força física com uma leitura de ondas pesadas que a torna particularmente perigosa em Pipeline e condições de tubo. Seu surf agressivo e direto é uma contraposição elegante ao estilo fluido de Gilmore.

Ranking Geral: Títulos Mundiais e Impacto Técnico

# Surfista País Títulos WSL Era Principal legado
Stephanie Gilmore 🇦🇺 AUS 8 2007–atual Estilo, trim, longevidade
Layne Beachley 🇦🇺 AUS 7 (6 consec.) 1998–2006 Dominância, ondas grandes, igualdade
Lisa Andersen 🇺🇸 EUA 4 (consec.) 1994–1997 Popularização global do surf feminino
Carissa Moore 🇺🇸 EUA 5 + 🥇 Olimpíada 2011–atual Power surf, aéreos, ouro olímpico
Tyler Wright 🇦🇺 AUS 2 2017–atual Agressividade, tubo
Maya Gabeira 🇧🇷 BRA Recorde mundial 🌊 2010–atual Big wave, 22,4 m em Nazaré

Perguntas frequentes

Quem é a maior surfista feminina de todos os tempos?

Stephanie Gilmore é amplamente considerada a maior surfista feminina de todos os tempos, com 8 títulos mundiais da WSL — mais do que qualquer outra atleta na história do surf feminino.

Quantos títulos mundiais Carissa Moore tem?

Carissa Moore conquistou 5 títulos mundiais da WSL e também a primeira medalha de ouro olímpica da história do surf feminino, nos Jogos de Tóquio 2020.

Qual o recorde de Maya Gabeira em Nazaré?

Maya Gabeira detém o recorde mundial da maior onda surfada por uma mulher — 22,4 metros em Nazaré, Portugal. O feito foi homologado pelo Guinness World Records e é um dos maiores marcos do big wave surf feminino.

Tem brasileira campeã mundial de surf?

Tatiana Weston-Webb é a principal brasileira no circuito feminino atual, com dois vice-campeonatos mundiais. Maya Gabeira, embora não compita no tour de manobras, é a maior recordista mundial de ondas grandes entre as mulheres com 22,4 m em Nazaré.

Conclusão: o surf feminino nunca foi tão alto

Cada geração de surfistas femininas empurrou o teto um pouco mais alto — em potência, em progressão técnica e em presença cultural. De Layne Beachley abrindo portas que estavam fechadas até Maya Gabeira quebrando recordes que pareciam impossíveis, o surf feminino chegou 2026 como um dos capítulos mais emocionantes do esporte.

Conhecer essas atletas é entender também a evolução do equipamento: as pranchas que usamos hoje, femininas ou não, carregam influências diretas do que essas mulheres exigiram de shapers e marcas. O próximo capítulo ainda está sendo escrito — e as candidatas a escrever são muitas.